Conversa sobre fatos

Postado em 23 de outubro de 2013

Era tarde da noite mais precisava conversar com alguém, estava sem o que fazer quando de repente veio uma mensagem de alguém conhecido dizendo que queria escrever comigo, conversar sobre algo interessante.
- Qual assunto você quer escrever? – disso eu, pensando por qual motivo uma pessoa iria querer escrever comigo.
 - Acho que o assunto que temos mais medo de falar sobre – diz ela com um ar misterioso.
- E qual seria? O amor? A morte? – pergunto.
- Qual assunto te da mais medo? – ela volta com uma pergunta - O amor ou a morte?
- O amor – respondo -  Por incrível que pareça sempre dói.
- Mas por que dói tanto? – diz ela querendo entender as coisas.
- Porque esperamos muito no nada e também porque as pessoas são muito complicadas – é apenas o que acho, não é certeza, mas pareci que para ela estou certo no que digo.
- As pessoas são complicadas ou nós que esperamos que elas não sejam...? Sei lá... Fico pensando será que dói porque a gente cria expectativa onde não tem nada? – Diz ela repensando sobre o assunto de modo que vem mais perguntas.
- Eu acredito que sim – respondo, sem saber o que falar digo a ela e me pergunto também. - E ai que tudo se complica, por que quanto mais esperamos algo, menos ou mais devagar acontece o que queremos, mas por que temos tanto isso de querer tudo? De que tudo se deve acontecer como pensamos... ASSIM PERFEITAMENTE?
-Porque se não for assim, vai ser como? – ela afirma - vamos nos contentar com migalhas? tem gente que se contenta e é feliz, tudo bem, mas pra quem sabe o que quer e sabe o que procura quer assim...PERFEITAMENTE.
- Mas é um pouco ridículo querer tudo, e não ter nada em si – respondo ela, é no fundo o  que realmente acho -  É sempre querer e querer... Não nos contemos com que temos e sempre queremos mais.
- Mas o que temos? – ela me pergunta, e no fundo pareci que até ela não sabe a resposta.
- Isso torna tudo muito fantasioso, mas acredito que o que mais importa nesta questão é o que temos dentro de nos, tire todo o resto do mundo, tudo mesmo e tente ver só você, o que você faria com o seu todo? Ou você não tem nada dentro de você? – pergunto a ela.
- Eu quero que o meu todo se complete com o todo de outra pessoa... tenho muito e não tenho nada ao mesmo tempo, sou completa incompleta sem alguém... – responde ela com a maior sinceridade que já vi em toda minha vida.
- Mas esse é o problema as pessoas não se têm, querem achar nos outros o que tanto procuram, alguém...e o amor q tanto dizem, o que você acha dele? Seria estúpido se jogar nele ou interessante? – digo
- Cara... Interessantíssimo – responde ela rindo.
- E a morte? Por que tirar da gente o que amamos? – Tento mudar de assunto, me aprofundar mais.
- Já quebrei tanto a cara, mas ainda me jogo! –afirma ela - meo... A morte é uma fase de vida, no meu ponto de vista. Concordo com ela e digo - É como viajar pra outro lugar, mas não saber pra onde.
- Mas você tem medo dessa viagem? – pergunta ela para mim.
- Às vezes sim, mas não – respondo - às vezes imploro pra viajar logo, mas sei que não é assim que as coisas funcionam.
- Você tem momentos que precisa chorar? – pergunta ela e motiva pelo fato de eu pensar dessa maneira.
- Tenho, e o pior que eu sempre guardo tudo dentro de mim, e acabo não chorando, fica entalado – respondo pensando em tudo que já se passou comigo.
- Te entendo – diz ela com um sorriso pequeno e me olhando bem nos olhos - A depressão é bonita, vista de fora, acredito que todas as pessoas deveriam passar por ela um pouco.
- Eu também acho, e no fim é algo que nos machuca, mas que é uma auto avaliação de si próprio, durante esse período escuro, como dizem – digo a ela, para de certo modo me entender ainda mais.
- Se não deixar cair tanto nela – ela completa.
- É isso q eu ia falar agora – digo e rimos juntas
- Ai é feio – afirmo e começo a rir de novo
- Ai fudeu – Ela quase grita e ri ao mesmo tempo.
- Você cai profundamente – digo a ela, tentando voltar ao normal.
- Fiquei nela 1 ano, quase morri de tanto me mutila fisicamente – Ela para de rir e olha distante dizendo isso.
- Nossa! – não sabia o que falar, não acreditei, não pareci que ela seria capaz disso.
- E psicologicamente, acho que... – acrescenta ela
- Sério isso? – pergunto assustada, não imaginava.
- sério – afirma ela.
- e por quê? – perguntei tentando entender.
- Acho que da aprende muito, bom... Dizem que na época eu estava tomando roucutam (remédio para espinhas) que ele causava depressão, mas... Eu acho que foi pelo término de namoro – disse ela.
- É... Acho que se junta tudo – digo para consola-la. - É complicado!
- A depressão de escrever, ouvir musica, é bonita, mas a depressão de chorar por qualquer coisa e querer se cortar o tempo todo é outra – Diz ela com a maior naturalidade.
- É totalmente diferente, é complicado e difícil demais – digo apenas isso, sem saber o que mais poderia falar.
- Mas tudo bem, da pra aprender – Diz ela, de certa forma se reconfortado e do nada pergunta. – E quem é ele?
 - Ele quem? – Eu me assusto, não esperava algo assim tão de repente, fico confusa.
- O cara... – diz ela, querendo saber mais.
- Hã? Como assim? – Não quero falar nada, mas também me surpreendo com o que ela quer saber.
- Que ferro com o seu coração – Ela fala olhando bem pra mim, curiosa de certa forma.
- Por que você esta dizendo isso? – pergunto.
- Só queria saber quem é a inspiração pros textos maravilhosos do seu blog... – responde ela.

- A vida mesmo, em todos os sentidos! – Afirmo para ela, e fico feliz em saber que admiram o que faço.
- Não tem nenhum empurrãozinho? – Pergunta ela curiosa em saber mais e mais.
- Em que sentido? - a única coisa que me passa na cabeça é essa pergunta, porque existem muitos sentidos para muitas coisas.
- De ter sofrido por alguém? – pergunta ela.
- Nossa já sofri tanto, mas esse não é o maior motivo pro meu sofrimento são outras coisas... Não só isso – Digo e me alivio.
- Entendi! É que seus textos tem uma profundidade tão forte que eu só queria entender de onde vem tanta intensidade – ela afirma a curiosidade a a admiração que tem.
- É que acho que me aprofundo demais nas coisas – digo.
- Em tudo? – pergunta ela.
- Sim – responda a ela - Acho que sim.
- Não perca isso! – diz ela, com um tom de amor na voz - Isso é lindo e raro.
- Obrigada mesmo, espero não perder isso, é mais forte que meu coração e mais profundo que minha alma e faço assim como um sopro de vento! – digo emocionada, pois nunca avaliei o que e porque do que faço.
- Lindo... Muito lindo – diz ela com um sorriso contagiante.
- Obrigada mesmo – e sorrio junto - Às vezes me acho A ESTRANHA nisso tudo – e começo a rir sem parar.
- Ah... Não se ache, se fosse alguma coisa ruim até poderia se achar, mas... Como é algo que tem uma intensidade linda (pelo menos reconheço) então... Não é estranho, é raro, apenas – Diz ela com o tom da voz doce que me faz pensar em chorar de emoção.
- Agradeço muito, isso me reconforta - disse com a maior sinceridade que pude, pois realmente era isso que sentia.
- Conte comigo – disse ela e agradeci dizendo – Vou precisar!
- Vou indo agora, até mais – me despedi dela.
- Vou indo também- disse ela e continuou - Bem... Percebi que muita coisa na vida das pessoas... é uma eterna bagunça.
- Sim! – concordei – no fim uma bosta pra quem faz dela isso! – Rimos de toda conversa, mas tínhamos que ir embora.



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